Especial Saúde no Trabalho
Carga horária de trabalho pode matar

Achou o título forte, exagerado ou sensacionalista? Independentemente do que você pensa, tenho algo para revelar: ele é verdadeiro. Conforme uma pesquisa publicada na revista médica Lancet – uma das mais reconhecidas no mundo, o excesso de trabalho por ser fatal, e, nesse caso, a frase não é nenhum tipo de figura de linguage, é literal. O estudo acompanhou 600 mil pessoas por cerca de sete anos e pôde presenciar algumas revelações.

Dos participantes que trabalhavam 55 horas por semana ou mais sofreram 33% a mais de derrame cerebral dos que tinham carga horária entre 35 e 40 horas semanais. Além disso, outro número importante foi o de doenças cardiovasculares, que tiveram 13% de maior incidência no primeiro grupo.

De acordo com o chefe da pesquisa, Mika Kivimäki  não importa a profissão, o nível social ou o sexo, pois o resultado é o mesmo. O que ele alerta é referente ao mecanismo que causa as doenças - se é estresse, por exemplo – que ainda precisa ser estudado.

O levantamento também registrou que esse perigo está ligado apenas à quantidade de horas que se trabalha, e não à profissão. No caso da pesquisa, pouco importa se você é motorista de ônibus, chef de cozinha, professor, repórter, médico, advogado, manicure. O fato é o quanto você dedica do seu tempo para a rotina de trabalho.

O estatístico Estevão Aguiar sabe exatamente do que essa pesquisa trata. Quando chegava no trabalho por volta de 7h da manhã e saía depois das 21h – e isso se deu por quase dois anos – algo o fez diminuir o ritmo: um Acidente Vascular Cerebral, o famoso AVC. “Mesmo sendo casado e tendo família e amigos, me entregava por inteiro ao meu trabalho e achava que era normal trabalhar muito. Depois do episódio, que assustou toda a equipe, pois foi durante o horário de trabalho, caiu a ficha que precisa fazer uma escolha, ou o trabalho, ou a minha saúde”, lembra Aguiar.

Silvio Carvalho, que na época era seu gestor, aprendeu com a situação do então funcionário. A partir daquele dia, as horas extras dos colaboradores passaram a ser controladas e começou a se exigir autorização para ficar além do horário estabelecido. “Inciamos um processo de valorizar a produtividade, muito mais do que a carga horária. E também começamos a incentivar momentos de lazer, finais de semana, feriados, recessos e férias em dia”, conta Carvalho.

Qual a receita? Infelizmente não há, mas existem, sim, atitudes que podem minimizar esses perigos. Encontrar equilíbio, valorizar o tempo livre, se disciplinar quanto ao horário, fazer pausas mais longas. O povo alemão, por exemplo, é o mais rico da Europa, mas o que trabalha em média35 horas por semana apenas. Ou seja, trabalhar demais não significa, necessariamente ser rico.

E você, quantas horas trabalha?