Quantas emoções! Chegou a hora de voltar ao trabalho


Fim da licença maternidade é hora de voltar ao trabalho! Parece simples, mas, para muitas mães, é um momento que chega rodeado de preocupação e medos.

Que vazio! Que dor! Que dúvida! Que tristeza! Que inquietação! Que vontade de jogar tudo para o alto! Para mim e para todas as mães uma das decisões mais difíceis de tomar na vida.

É muito difícil, mas a separação é necessária para que você possa retomar outros papéis. As grandes dificuldades em lidar com esses sentimentos podem desencadear emoções e comportamentos disfuncionais, traduzindo-se em mobilizações ou imobilizações na vida da mulher.

Quando pensei em escrever sobre tema, consultei um grupo de mães no facebook que faço parte “Grupo de mães Donna” Um Grupo sobre maternidade da Revista Donna, para mulheres que gostam de trocar experiências, testar produtos, conhecer novos serviços e compartilhar dicas de programação com as crianças em Porto Alegre-RS e arredores, além de ser o espaço para falar sobre os conteúdos para mães.

Lá conhecei Jaqueline Rosa Resende 39 anos, mãe de da pequena Julia de sete anos e do príncipe Théo Lucas de cinco Meses. É casada com Jenilson de Castro Lima, 46 Anos e moram juntos as onze anos no estado do Maranhão.

Jaqueline foi super solícita com o meu pedido de apoio para o conteúdo desta matéria. Aqui ela nos conta a gestação complicada que teve e as angústias do seu final de licença maternidade, além de uma dica para nós mamães, nesta fase tão complicada.

Pra começar, vou te contar a um pouco da minha experiência:

Meu filho foi para escola com quarto meses de idade, foi uma fase bem difícil até encontrarmos uma escola adequada que nos passasse segurança, principalmente em relação aos cuidados com a alimentação, neste período ele já estava iniciando a introdução alimentar e eu ainda o amamentava durante a noite, mas em função da APLV - Alergia a Proteína do Leite de vaca (que graças a Deus se espaçou aos dois anos de idade) tínhamos cuidado e receio, eu estudei muito sobre essa alergia alimentar e sabia o cuidado minucioso de se deveria ter, um deles é com a contaminação por alimentação cruzada, cuidado que poucos demonstravam ter, quando eram questionados sobre. Isso nos deixava mais aflitos, visitamos muitas escolas, foi bem doloroso a ponto de eu pensar, algumas vezes em não voltar a trabalhar, mas no final deu tudo certo.

A maioria dos pediatras não recomenda colocar na escolinha antes dos dois anos, por questões de saúde, mas fomos super bem orientados pela nossa pediatra, não tivemos nenhum problema quanto a isso, eu fiquei sempre muito atenta, apenas alguns resfriados, mas tudo sob controle.

Eu precisava voltar a ser aquela Michellen de antes, por incrível que parece, eu sentia a necessidade de me desconectar do meu filho, um sentimento estranho que me fez questioná-lo em vários momentos, “Nossa! Que horror, que mãe que eu sou!” Mas depois, eu entendi que este era apenas um grito de uma pessoa que se entregou integralmente e totalmente por quatro meses as funções maternas, um sentimento natural e perfeitamente normal.

Conflitos e não há como escapar deles!

Nós tínhamos outras opções, mas desde a gestação nunca cogitamos a possibilidade de deixá-lo com os avós ou com babá (uma decisão nossa, por vários motivos), mas respeitamos muito os pais que decidem por outros cuidadores, inclusive deixar de trabalhar fora.

Murilo começou a adaptação quinze dias antes do meu retorno oficial ao trabalho, e este período foi fundamental, difícil retornar para casa sem ele, parecia um pedaço de mim estava faltando, mas foi ótimo para nós dois.  Eu estava muito tranqüila e ele também e nossa adaptação foi muito feliz!

O Planejamento e suporte da família é super importante nessa fase e principalmente um olhar atento para as nossas emoções, cada mulher nomeia seus medos ou receios de maneira própria, porém todos eles estão relacionados à perda do bebê. Em nenhum momento a mãe precisa deixar de externar seus sentimentos. Isso é necessário para que ela mesma possa aprender a lidar com eles, da maneira mais compreensível possível.

A primeira providência é aprender a lidar com a sensação de insegurança por deixar o filho aos cuidados de outra pessoa, do ponto de vista psicológico, é esperado que o bebê se sinta inseguro longe dos pais, e essa ansiedade provocada pela separação fazem parte do crescimento e ajuda na estruturação do ego. Mas nas pequenas situações do dia a dia, à medida que o mundinho deles se expande, seu filho vai percebendo que você aparece e reaparece novamente. Que lindo!

O processo de adaptação é de todos os integrantes do ciclo familiar, mas principalmente para mãe que ainda por cima, decide carregar uma culpa desnecessária. Sua angústia pode passar para seu filho, fazendo com que se sinta abandonado. E pior a mãe pode agir de forma compensatória quando busca o filho na escola, cedendo aos choros, dando presentes, deixando com que a culpa tome conta, ou seja, deseducando emocionalmente.

Você não pode esquecer o papel do pai nesse contexto. Ele precisa estar aberto a, emocionalmente, ajudar a mulher a lidar com a ambivalência de sentimentos e quebrar a idealização da “mãe perfeita” por meio de atos reais, práticos e discussão dos sentimentos. O suporte emocional oferecido pelo marido e familiares (avós, por exemplo) contribui para o desenvolvimento dos filhos.

Outro sentimento que pode tomar conta da mãe é o ciúme de quem está tomando conta de seu filho. Por isso, antes de se martirizar, fique feliz porque se o bebê demonstra afeto pela pessoa é sinal de que você fez a melhor escolha.

Não tente ser uma super heroína, você não é! As emoções, os sentimentos, vão surgir, mas cabe a você lidar com eles, de forma que essa fase seja mais leve e saudável para você, seu filho e sua família.Compartilhar os conflitos e trocar experiências com outras mães ajuda muito. Outras opções são os blogs e a participação em comunidades. Se estiver muito difícil resolver a questão, procure ajuda de uma profissional ou pessoas da sua confiança.
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Agora vamos Conhecer Jaqueline, ele teve uma gestação bem difícil e em função desses cuidados pensou, assim como eu em parar de trabalhar, mas não desistiu e hoje ela se divide em seus diversos papéis.

Michellen Fernandes: Como foi sua gestação?

Jaqueline Resende: Minha Gestação não foi planejada, porém foi muito bem vinda, posso dizer que não foi uma gravidez muito tranqüila de uma analise física e psicológica, foi uma gravidez bem diferente da primeira, muitos altos e baixos de hormônios, enjôos, tireóide, e de índices glicêmicos instáveis, fui diagnosticada com Toxoplasmose no 7º mês de gravidez e desde então sendo acompanhada por infectologista, nutricionista, obstetra e ultrasom com internavalos menores e considerada uma gravidez de risco já que é uma doença muito séria, principalmente pelo estado ao qual eu me encontrava (gestante), existe somente um medicamento que trata a doença na gravidez a Rovamicina X Sulfadiazina  (cujo medicamento custa um pouco caro é e difícil de encontrar na rede particular,não disponibilizado na rede publica, tive que adquirir o meu em Goiânia-Go) ao todo de dois meses tive que tomar  mais de 300 comprimidos, e a cada consulta ouvir dos profissionais que meu bebe poderia nascer com problemas neurológicos, com microcefalia ou hidrocefalia, ou cego ou surdo ou mudo, não foi nada fácil, porém a vinda dessa criança tinha um propósito nas nossas Vidas, hoje eu digo que ele é meu milagre! Pois nasceu de 39 semanas de Parto cesariana pesando 3.550 kg e 50 cm. (Passou por todos os exames necessários pelo histórico da Mãe com toxoplasmose, e foi constatado que ele é uma criança que teve contato com a doença porem não foi infectado, esta imune pelo resto da vida dele desta doença, E UMA CRIANÇA SAUDÁVEL E FELIZ) 

Michellen Fernandes: Como está sendo essa fase em que a família precisa se movimentar para buscar uma escola para o Théo Lucas ?

Jaqueline Resende: Não é uma tarefa nada fácil, já que procurar algum local ou alguém para ficar com seu pequeno tão pequeno é indefeso, no caso de não ter algum familiar para deixá-lo optamos pela escola, estamos bem envolvidos, inquietos com essa fase, mas estamos fazendo o nosso melhor, estudando bem o local, buscando referencia sobre o mesmo, converso com outras mães que já conhecem o local há algum tempo.


Michellen Fernandes: Você se sente preparada para este retorno (volta ao trabalho) Quais as emoções inseridas neste contexto, como você lida com elas?

Jaqueline Resende: Sim, estou voltando, com um aperto no coração, mas tranqüila. A nossa maior preocupação enquanto mães é, se eles iram ficar bem com nossa ausência, porque é uma ligação muito forte, no meu caso que alimento meu filho exclusivamente com leite materno, ficou ainda mais complicado, porém possível, consultei um banco de leite na minha cidade para saber como poderia armazenar o leite para deixar para meu filho para as horas da minha ausência e assim eu fiz, e esta sendo tranqüilo. 

Michellen Fernandes: Você pensou em desistir da sua carreira profissional?

Jaqueline Resende: A principio sim, inicialmente pensou em ficar em período integral com eles, mas senti necessidade de retomar minha carreira, e diante da crise a ajuda financeira também.

Michellen Fernandes: Alguma dica ou recado para as outras mães que estão passando por essa fase?

Jaqueline Resende: Fiquem tranqüilas! Muitas mães pensam que somente elas são capazes de cuidar tão bem dos nossos filhos, mas é preciso que tenha uma maturidade muito grande para entender que existe sim outras pessoas tão competentes quanto você, que podem sim cuidar muito bem do seu filho. Muitas mães se sentem culpada por passarem muitas horas em seus locais de trabalho e pouco tempo com seus pequenos, mais o que vai contar mesmo para eles é aquele tempo de qualidade e troca de afeto nos momentos que estão juntos, eles precisam entender desde cedo que a Mamãe vai e a Mamãe volta isso também irá despertar neles a independência.