Cristtiane escreve mensalmente, sempre na segunda-feira.
Relações Comerciais (ou nem tanto!)

Estamos no mês dos namorados. Namoros que podem começar de diferentes formas, mas que passou a ser comum no ambiente de trabalho, uma vez que passamos mais horas dedicados a ele do que qualquer outra coisa.

Mas em termos de comportamento social e profissional, como lidar com isso?

Em recente treinamento em uma Instituição financeira, foi- me solicitado incluir o tema durante a apresentação.

Exatamente nesta semana, pensando na pauta desta editoria, recebi uma newsletter que traria a seguinte informação: “ Dispensar funcionário por namoro com colega de trabalho é considerado ato discriminatório”.
Fiquei pensando nisso pois já passei por este desafio. Digo desafio pois, é preciso estar certo antes de tomar qualquer decisão. Tenho propriedade para tratar do assunto, não apenas como Consultora de Imagem mas, porque me casei com um ex-colega de trabalho. Éramos de departamentos diferentes e, logo que o relacionamento foi firmado nós comunicamos à Empresa pessoalmente - inclusive colocando um dos cargos à disposição (o que não foi aceito). Mantemos nossos postos de trabalho e nosso relacionamento profissional.

Como nós consultores em comportamento, sempre orientamos que a empresa seja comunicada, em caso de relacionamentos, depois desta ação movida pelo trabalhador, é importante entender se isso não se faz mais necessário. 

Para nos esclarecer, do ponto de vista jurídico como isso funciona e poder ajudar você e até as empresas que nos lêem, contribuiu gentilmente para nossa pauta a Dra Ana Paula Zarichta Tedesco, do escritório Zarichta Tedesco Advogados. Segundo a Dra Ana Paula, trata-se de uma questão complexa, não havendo direito da empresa proibir relacionamento entre seus funcionários, não haveria então necessidade deste tipo comunicação a empresa. Porém, na prática a notícia é espalhada rapidamente.

Sendo assim, para evitar qualquer mal entendido ela sugere que o melhor a fazer é continuar comunicando a Empresa, seu superior direto ou RH. “É muito mais uma questão de profissionalismo e transparência do funcionário do que propriamente relacionada ao direito do trabalho”, destaca ela.
Indo mais além, muitas empresas não costumam contrata familiares diretos.

Neste caso, um relacionamento que resulta em casamento poderia ser tratado da mesma forma, a partir da concretização. Na prática, conforme a Dra Ana Paula, qualquer tipo de relacionamento seja amoroso, amistoso ou familiar não pode gerar qualquer tipo de tratamento diferenciado entre os funcionários. Da mesma forma que um profissional tem que saber que os assuntos relacionados ao trabalho não podem ser objeto de discussão familiar, amorosa ou amistosa.

Para resumir e não criar conflitos entre você e sua empresa, veja as dicas a seguir:

- Não se nega ao empregador, à obviedade do direito de coibir demonstrações inadequadas de afeto impor limites e regras obstando, assim, atos que possam interferir ou perturbar a prestação de serviços ou a normalidade do ambiente de trabalho.

- Evite carícias, contato físico, excesso de conversas, trocas de mensagens românticas, tratamento diferenciado ou de desentendimentos como brigas, discussões, cenas de ciúmes,

- Demonstrações inconvenientes podem, em tese, ensejar a dispensa por justa causa, a teor da norma estatuída no art. 482, alínea “b”, da CLT. 

- Deve haver discrição e profissionalismo, ou seja, a relação profissional nunca deverá ser prejudicada pelo relacionamento amoroso, a fim de você não infringir as garantias constitucionalmente asseguradas no inciso X do art. 5º da Constituição Federal.

Muitas vezes a falta de conhecimento nos faz passar por situações muito mais constrangedoras. Discrição e respeito devem sempre permear o mundo dos negócios. Conhecer algumas regras de Postura e Etiqueta no ambiente de Trabalho, contribui para construir uma imagem profissional positiva.

Muitas paqueras começam nos eventos de fim de ano promovidos pela empresa. Além de cuidar da adequação do traje a ser vestido para a situação, é preciso também entender que a melhor maneira de paquerar um colega de trabalho é ser discreto e fugir de situações constrangedoras. Não se esqueça de que no dia seguinte você deverá encontrá-lo e qualquer atitude não pensada pode comprometer uma imagem que vem construindo há algum tempo.

Se optar por encarar o desafio, como eu fiz, saiba que o relacionamento pessoal deverá DE VERDADE ficar do portão da empresa para fora.

Isso mesmo, antes de encarar uma paixão avassaladora, é preciso saber como conduzir isso diariamente. Já adianto que não é fácil. Aliás, é bem mais complicado do que se imagina. Mas vencemos as barreiras do preconceito e até vencemos ter que provarmos dia após dia que a relação não afetaria no resultado profissional.

Legal, é poder dividir isso depois de 11 anos, agora com você.

Se existe amor, qualquer barreira pode ser vencida.

Até a próxima.
Cris