Política e Comunicação de mãos dadas

A revista Voto tem mais de 10 anos e a sua diretora, Karim Miskulin, tem todos os méritos por tornar sua publicação uma referência no Estado. Com um sorriso fácil e um brilho no olhar que lhe são característicos, ela desfila competência e simpatia e tem sua credibilidade consolidada em um ambiente maioritariamente masculino. Em sua trajetória, Karim provou para muitos que Comunicação e Política podem e devem, sim, andar de mãos dadas.

Negócio Feminino - Começou com Hotelaria, passando por Direito e, finalmente, Ciências Políticas. Conta para nós como surgiu essa paixão?

Karim Miskulin - A paixão existe desde sempre, pois venho de uma família política. Além disso, minha mãe e minhas tias sempre tiveram atividades sociais ligadas à prefeitura de Santo Antônio da Patrulha, minha cidade natal. Eu sempre participei, mas nunca havia me imaginado na política. Então, depois de me formar em Hotelaria, fui cursar Direito. Lá, resgatei meu amor por essa atividade. Durante a cadeira de Ciências Políticas, descobri meu interesse profundo pelo assunto. Queria entender melhor, aprofundar o conteúdo. No mesmo semestre, troquei de curso.

NF - E a Revista Voto, veio como?

KM - Em função do estágio, na TV Assembleia, tive contato direto com o jornalismo político. Mais do que isso, convivi com jornalistas políticos e de opinião. Descobri uma nova paixão, no potencial que a profissão tem de fomentar a ação e a paixão política. Vendo o cotidiano desse trabalho, tive a certeza que existem coisas boas na política e no poder transformador do jornalismo nessa área.

NF - Mulheres no comando de empresas ainda são minoria. Como é para ti estar a frente de um veículo de comunicação?

KM - É um orgulho. Só me dei conta de como era uma área machista quando comecei a frequentar reuniões e perceber que eu era, sempre, a única mulher presente. O mundo empresarial ainda é dominado por homens. Por isso, nós temos a responsabilidade de mostrar que falta espaço para as mulheres, porque competência nós temos. Mas estar a frente de uma publicação é uma grande responsabilidade, um compromisso diário com a verdade e com a ética.

NF - O público feminino presente na política tem sido assunto recorrente. Como é transitar nesse meio de forma isenta?

KM - O assunto, desde as últimas eleições, tem sido a ausência das mulheres na política. Apesar de termos uma presidente mulher, estamos perdendo representatividade. O que é ruim, afinal as mulheres são excelentes líderes – naturalmente. A maioria dos partidos tem no poder feminino a base das lideranças comunitárias, no entanto, o machismo ainda impede que existam condições necessárias para concorrem a cargos majoritários. Ser isenta a isso é a parte mais difícil, porque, estando à frente de um veículo, as pessoas não diferenciam a Karim da publisher da revista. Acabo não omitindo minha opinião pessoal, pois as pessoas confundem. Trabalho, acima de tudo, com descrição, análise isenta e dando oportunidades para todos os lados.

NF - A Voto mostra que Comunicação e Política podem andar juntas. Como  são esses dois conceitos para ti?

KM - A política está na base de todos os princípios da comunicação. Ao fazermos qualquer tipo de análise, estamos fazendo política. O jornalismo desperta o senso crítico e, assim, ambos os temas caminham lado a lado. E, de fato, devem ser assuntos trabalhados juntos, para quebrar o preconceito e tornar claro que fazer política não é fazer politicagem, porque essa, sim, é degradante. A política é uma ciência linda e a comunicação pode fazer o convite para o receptor ter esse entendimento e qualificar o processo seletivo.

NF - Quais são os planos para um futuro próximo?

KM - Em 11 anos, conseguimos ter a certeza que, cada vez mais, as empresas e os veículos acreditam e apoiam a boa política, que tem um importante papel de transformação. A Voto está presente nos principais estados, como difusora de boas práticas e um canal de despertar de senso crítico e político da população, buscando ser um material de importância na base da educação política.


Rapidinhas
Karim em uma palavra: Otimista.
Uma lembrança da infância: A casa cheia e a mesa farta.
Um filme favorito: São muitos! Mas gostei muito de “A teoria de tudo”, pois mostra que nada é impossível quando acreditamos e buscamos.
Uma frase para resumir tua vida: Uma só? Até aqui, gostei do que vi, do que fiz e dos propósitos que venci. Para conquistar mais, tenho a vida pela frente. Está só começando!