Crescer com solidez

Salete Foernges fala da família e como lida com o trabalho em família. Esposa, mãe de dois filhos e com três netos fala da renovação da Óptica Foernges, das sete lojas espalhadas em Porto Alegre e da vida. A empresa, que já está na terceira geração, tem como marca registrada o atendimento. Conhecer a Salete é conhecer a essência da Foernges. Um papo tranquilo e delicioso. Confira:

Negócio Feminino: Gostaria que tu contasses um pouquinho para gente como começou a tua carreira.

Salete Foernges: A empresa tem 120 anos. Eu sou casada com o Bruno Foernges, que é a terceira geração da família – uma vez que o avô dele fundou a Foernges em 1895. Eu comecei a trabalhar na empresa devagar porque foi aberta uma loja na Dr. Timóteo. Era uma gracinha, parecia uma boutique europeia, uma coisa nova. Se estacionava na frente da loja, não se tinha problema para procura de vagas. O trânsito era outro, os horários eram outros. Eu comecei a me introduzir aos poucos na Foernges e nunca mais parei (risos).

NF: Com isso fostes buscar capacitação na área?

SF: Sim, fui fazer a faculdade de optometria. Isso já quase no ano 2000, quando já tinha quatro anos de empresa – o que serviu muito para o meu conhecimento e entendimento no meu trabalho. Como a optometria é um curso voltado para saúde, foi mais para entender as receitas, as deficiências visuais que as pessoas tinham. Nessa época, o negócio foi mudando e abrimos mais lojas. Nós tínhamos uma sociedade e, em um determinado momento, se desfez. Assim, o Bruno e eu assumimos toda a Ótica Foernges.

NF: Conta como foi essa transição, Salete.

SF: Isso foi em 1986. Nós compramos a parte dos sócios que se retiraram, sendo a hora de assumir de vez. Do ponto de vista da administração, ficou fácil porque felizmente o Bruno, meu marido, e eu nos entendemos bem e cada um ocupa o seu espaço. Depois disso os filhos cresceram. O Guilherme e a Fernanda tiveram iniciação na ótica. O Guilherme permanece até hoje trabalhando, é formado em administração e é diretor comercial da empresa. A Fernanda esteve até um período recente, mas ela sempre teve o ideal de ter uma profissão própria, de ter uma carreira solo. Ela realmente conseguiu, ela fez Direito e também fez administração. Mas hoje é Procuradora.

NF: Quais foram os principais desafios que vocês enfrentaram naquela época?

SF: O desafio foi – e continua - bem grande. A empresa estava em uma situação ruim, com um passivo e tínhamos de pagar o valor dos 50% que era dividido em três partes, que eram dos outros sócios. Então foi realmente um vôo meio cego.

NF: Cego, mas com os dois pés no chão?

SF: Exatamente. Sabendo dos riscos e sabendo que nós tínhamos que assumir esse passivo, que não era pequeno.  Mas estávamos estimulados pela tradição e nome da empresa. Afinal, nós pagamos para ficar com ele.

NF: Olhando para trás tem um gostinho de sucesso?

SF: Ah, com certeza. Devagarinho fomos crescendo, abrimos outra loja e o passivo foi diminuindo. Temos tido sucesso pelo motivo que nos fez chegar até aqui. Trabalhamos com responsabilidade, ética, respeito ao cliente e a nossa equipe. Os novos colaboradores sempre passam por uma capacitação que os faz um consultor Foernges, assim mantemos nosso padrão de atendimento. Esse é o nosso ponto forte. Produto e ponto de venda todos têm, nós nos diferenciamos é pelo nosso atendimento. Além do nosso laboratório próprio.

NF: O que o trabalho representa pra ti?

SF: Tirando a família, é o mais importante. Não sobra mais nada. É algo muito importante, quase que a essência do nosso viver e não imagino o contrário. Claro que a família está sempre na frente, mas aqui conseguimos mesclar. É o trabalho que me realiza, sou uma pessoa que me comunico com facilidade.

NF: Como funciona trabalhar com a família, é possível separar?

SF: Conseguimos não falar de trabalho quando estamos em casa. Às vezes, sei de algo que aconteceu e quero chegar em casa para contar logo, mas seguro até a segunda-feira durante o café da manhã (risos). Não conseguimos 100% dos dois lados, mas tentamos separar e não misturar. O mais importante é que nos respeitamos e não há atritos de opiniões, principalmente, porque estamos em gerações bem diferentes.

NF: Qual o sentimento em ver o teu filho continuando essa trajetória da Óptica Foernges?

SF: A empresa está voltada para essa continuidade naturalmente. Nossa preocupação é deixarmos alinhado para as futuras gerações, mas acredito que tudo funcionará muito bem. Nosso grande mérito é que a empresa continua na mesma família, passando de geração à geração.

NF: Projetos para a Foernges?

SF: Faz parte da nossa filosofia crescer com solidez. A nossa visão é ser referência em ótica no Rio Grande do Sul e queremos manter esse posicionamento. Claro que o momento no País é de dificuldade, então tudo o que for feito é preciso ter os pés no chão. Manter o que se tem é importante, mas sempre sendo referência nesse ramo.  Abrir um novo ponto de venda, ampliar o laboratório são projetos que fazem parte da nossa visão. Mesmo havendo outra geração na administração da empresa, sempre frequentamos feiras do segmento buscando inovação.

NF: Qual a tua dica para quem está no caminho do empreendedorismo?

SF: Antes de tudo, empreender em algo que goste de fazer, assim ela terá garra. Conciliar como as outras tarefas é essencial. A mulher está em um patamar muito elevado, tem muita criatividade e é isso que deve ter. Fazer o que gosta, ser criativa, cuidar de si mesma e ir em frente.

NF: Quem é Salete?

SF: Uma mulher determinada, ativa, sem preguiça. Tiro de letra o cansaço. Eu sou assim: determinada. Vou em busca do que acho que devo fazer. Até preciso cuidar para não atropelar. Risos.