Tássia escreve quinzenalmente.
Que mensagem sua vida está passando?


Dia desses terminei de ler um dos livros do Mário Sérgio Cortella, que uma amiga me emprestou. Uma das propostas do autor era fazer nós, leitores, refletirmos sobre a seguinte pergunta: Se você não existisse, que falta faria? Em outro de seus livros, já no título ele questiona: Qual é a tua obra? Que perguntas! Responder a elas significa, finalmente, encontrar o sentido da sua vida, que há tempos você tanto procura. Tudo que você sempre buscou saber em duas perguntas tão simples e tão complexas, ao mesmo tempo.

Vamos começar falando sobre a segunda delas: Qual é a tua obra? Até porque a resposta a essa pergunta vai te ajudar a responder a próxima, sobre que falta você faria, se não existisse. Então, o que você tem construído de bom para deixar no presente e para o futuro. Qual é o teu legado?

Você pode ter deixado a teoria da relatividade para a humanidade. Ou apenas ter sido uma mãe incrível que deixou um filho como um ser humano exemplar seguindo seus passos. Apenas? Você faz ideia do quão difícil é ser uma mãe e criar um ser humano do bem para somar no mundo (tão carente disso)? Você pode ter inventado a Penicilina, o Rivotril e a vacina da gripe. Ou você pode ter criado apenas a melhor receita de torta de maçã da sua família, que é seguida por todas as gerações, e que é protagonista das reuniões familiares. “Apenas” um símbolo do amor que você dedica a tudo que fazia e da importância que dava para a união familiar. Você pode ter escrito um romance best-seller, dirigido um filme blockbuster, fundado o maior parque de diversões do mundo. Ou você pode ter ensinado que mais vale um bom churrasco no pátio com amigos de verdade, do que uma janta num restaurante caro com gente que só se aproxima de você por interesse.

Qualquer uma das opções acima pode ser a sua resposta certa. Isso é com você! Mas independentemente de você ser o Walt Disney ou a dona Maria da torta de maçã, lembre-se de uma coisa ao responder à pergunta em questão: não importa a grandeza daquilo que você cria, e sim a sua grandeza como ser humano ao criar aquilo. Não importa se é o mundo ou a sua família que vai lembrar de você, desde que lembrem de você pelo bem que você criou e não pelos erros que cometeu por aí.

E então chegamos a segunda pergunta: Se você não existisse, que falta faria? Quando vejo essa pergunta sempre lembro daquela máxima do mundo profissional: “Ninguém é insubstituível”. É, talvez não, quando classificamos uma pessoa apenas pelas atividades que ela exerce. Qualquer pessoa pode aprender a fazer as tarefas da outra (mesmo que de maneiras diferentes). E isso é essencial para a engrenagem continuar funcionando. Mas certamente essa máxima não é verdadeira para tudo. Caso contrário eu poderia achar novos Joaquins e Nelsons para substituir os dois melhores avôs que o mundo poderia ter me dado como exemplos de homens. Poderia ter achado mais Carolinas e Marias para substituir as duas avós guerreiras, talentosas e amorosas que tive e que foram exemplos de mulheres.

Diante disso, sabe como respondo a essa pergunta? Não quero que as pessoas sintam falta de mim pelas atividades que eu exercia. Não quero que as pessoas sintam falta de mim porque dependiam de mim. Quero que minhas atividades e responsabilidades sejam substituíveis, sim. Só quero fazer a falta que essas quatro pessoas acima fazem na minha vida, a falta pelo exemplo, a falta pelo que elas significaram, pelo que elas ensinaram, pelo legado delas, pela sua obra. Quero fazer falta por ter ensinado o valor das coisas simples, da risada com os amigos, do café da manhã com os colegas, da caminhada no domingo, do banho de sol na praia, da companhia de um bom livro; a falta por ter ensinado que o trabalho deve ser feito com dedicação, de que é preciso correr atrás do que ser quer, e não esperar cair do céu; a falta por ter brigado quando foi preciso, e pedido desculpas também, e por não ter desistido mesmo quando faltaram forças. Quando fui pra Índia, ao entrar na casa de Gandhi, li uma mensagem e chorei, porque acredito que essa deveria ser a moral da vida de todo mundo. Era simples e complexa. Dizia: “My life is my message”. Sendo assim, que minha vida seja minha mensagem, e que a sua também.