A empresa que faz meu coração bater


A frase do título já foi dita incontáveis vezes por mim, para diferentes interlocutores e nos mais variados contextos. Em abril, a minha empresa completou 19 anos de existência, sendo que faço parte dela há nove e estou conduzindo-a há quase dois. Para quem não entendeu nada, é que esta empresa foi fundada em 1999, eu entrei 10 anos depois, como estagiária da equipe de redação, e, em 2016, tive a grata oportunidade de adquiri-la das mãos do seu fundador. Essa pessoa é por mim considerada para sempre meu professor, guia, guru, escola ambulante, mestre yoda, ou seja lá como você chama a sua referência profissional.

Ainda que eu pudesse passar dias e dias escrevendo sobre a minha última década (e ainda vou tratar bastante disso por aqui), a ideia de hoje não é homenagear ninguém e nem contar as pérolas da minha pequena trajetória como empresária. Quero apenas falar sobre como é trabalhar numa empresa que eu amo, que faz meu olho brilhar e que foi a única, até o momento, que fez meu coração bater. Não significa que não gostei das demais experiências, pelo contrário, muitas delas foram incríveis (outras traumatizantes, como acontece com a maioria). Aliás, sempre tentei tirar o máximo de aprendizados e tenho recordações lindas de quase todas por onde passei.

A verdade é bem mais simples. Não há culpados, nem vilões ou super-heróis. Falo mesmo é de liga, de sintonia, de encontro. Falo, como tem sido muito ciado por aí, de propósito. Não aquele do tipo “use filtro solar”, refiro-me apenas ao motivo que me faz sair de casa todos os dias sem pensar que estou cansada, exausta, sem vontade, de saco cheio mesmo. Ao contrário, faz com que eu vá dormir leve (ainda que, muitas vezes, minha cabeça fique borbulhando de ideias, projetos, demandas e pendências) e acorde motivada a fazer diferente, fazer mais, fazer melhor, fazer algo pelo que faz meu coração bater.

E se tem outra frase que eu digo com bastante frequência nos mais variados momentos da minha vida é que as coisas não podem ser sofridas. Aliás, um dos primeiros ensinamentos profissionais que ganhei do meu pai foi quando ele me disse: “Quando chega o dia em que tu levantas da cama pensando ‘que droga (pra não colocar o palavrão verdadeiro desta frase), tenho que ir trabalhar naquele lugar’, é porque está na hora de sair de lá”.
É evidente que nem sempre foi esse amor todo. Tive períodos de amor e ódio com a empresa – e com a profissão também. Tanto é verdade, que passei três anos afastada da redação e fui ter novas experiências, mantendo como vínculo apenas os projetos especiais do portal. E foi exatamente neste período mais longe quando percebi o quanto realmente amava estar lá (aqui, no caso).

Ao primeiro sinal de que havia uma possibilidade de retornar, o coração bateu diferente, o que não significava que eu fosse infeliz no que fazia, pelo contrário, foi uma fase muito, mas muito feliz mesmo. Eu só não podia negar que o olho brilhava um pouco mais forte quando se tratava do portal. Foi essa intensidade que me fez voltar. Cheguei a pensar que estaria dando um passo para trás na carreira, pois já havia encerrado um ciclo, e só decidi quando percebi que o que estava prestes a acontecer era um novo ciclo, com um mundo de possibilidades e grandes chances de fazer diferente.

E assim aconteceu. E assim sigo implementando uma série de ideias. E assim eu erro diversas vezes e acerto em outras tantas. E assim aprendo a dar as devidas intensidades para cada experiência. E assim trabalho todos os dias: com a certeza de que estou no comando da única empresa que fez meu coração bater.