O que deu errado?


Já tem muito tempo que frequento palestras, workshops, debates, painéis, ou seja lá o nome que queiram dar a eventos nos quais são apresentados cases de marcas. Seja como jornalista ou uma simples interessada pelo assunto, tive a oportunidade de aprender sobre diferentes processos criativos e, assim, ser inspirada por uma infinita quantidade de iniciativas. Já fui surpreendida por conhecer os bastidores de uma campanha; saí super hiper mega empolgada com uma explanação motivacional; dei risada de doer a barriga com palestrantes muito bem humorados; discordei mentalmente quase que durante 100% do tempo; refleti profundamente sobre determinado assunto; tentei adaptar ideias apresentadas ao meu dia a dia.

Todas as opções – e mais uma infinidade de outras que poderia dar – foram extremamente válidas, sem dúvida. O que eu realmente não consegui presenciar ainda foi um encontro realista, ou seja, no qual alguém me dissesse que a sua trajetória, ou a da campanha, da empresa, da equipe não tenha sido um mar de rosas. Alguém que me dissesse a verdade, nua e crua, porque definitivamente não é possível que todo mundo viva de vitórias. Eu sei que o objetivo de quem promove esses eventos é o melhor possível, especialmente quando se tratar de inspirar pessoas – e poucas pessoas se inspiram com o fracasso alheio, por óbvio.

Certa vez, disse a alguns amigos: “É fácil fazer campanha para Natura, Renner, Itaú ou qualquer outra marca que despeja dinheiro em ações publicitárias”. Veja bem, antes que comecem a me apedrejar, eu não estou minimizando o esforço, empenho, inteligência e capacidade de quem trabalhar com essas marcas, muito menos ignorando o fato de que a situação econômica do Brasil tem desafiado o mercado da Comunicação todos os dias. Estou apenas comparando com o dia a dia das pequenas empresas, que fazem ginástica e até mágica com seus orçamentos quase inexistentes.

Quando vou nas faculdades conversar com estudantes, o que mais eles querem saber é como eu reagi a determinadas dificuldades, as gargalhadas são mais intensas quando conto dos meus erros enquanto foca (apelido carinhoso aos repórteres iniciantes), e a empatia acontece exatamente quando falo do que deu errado. E muita coisa deu errado. Muita mesmo. Renderia facilmente uma coluna (porque não?) para contar só as pérolas proporcionadas pelos meus equívocos. E porque faço questão de contar sobre eles? Porque sou absolutamente igualzinha a qualquer outro profissional cuja posição de liderança o forçou a tomar alguma decisão.

Quem nunca, não é mesmo? Já contei em outra coluna o quanto sofro com a minha ansiedade, mas já pensaram na situação de uma ansiosa sob pressão? E, nesse caso, refiro-me à pressão externa e não aquela que eu mesma me coloco todos os dias. Somos obrigados a tomar decisões o tempo todo, não importa a sua dimensão e isso, por si só, é cenário perfeito para o erro. Tomar uma decisão simples pode resultar num grande equívoco no final das contas. E daí?

O melhor de errar é aprender com o erro, certo? É piegas, eu sei, mas é infinitamente mais inspirador do que cases lindos e maravilhosos, que tanto ensinam os que escutam. E contigo, o que já deu errado?