Você nasceu para ser empreendedora?

Tempos atrás, o grande sonho de qualquer mulher era ser contratada por uma boa empresa, construir uma carreira profissional sólida e estável ao longo dos anos e se aposentar na mesma companhia que começou.

Mas esse cenário mudou muito e o que se percebe é um número cada vez maior de pessoas que estão abrindo seu próprio negócio. Os motivos são os mais variados possíveis. Entre eles, a crise vivida no país e a instabilidade em todos os segmentos.

Claro que com isso a as pessoas tiveram uma ajudinha. Sim, ela mesma: a internet e uma nova mentalidade propiciam essa mudança. No Brasil, já são mais de 10 milhões de empresas, sendo 95% pequenos negócios. Segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, divulgada no começo do ano, 34 a cada 100 brasileiros, entre 18 e 64 anos, têm sua própria empresa ou estão envolvidos na criação de uma.

Mas o que é necessário para ser um empreendedor? Todos nasceram para empreender? Para Madalena Feliciano, diretora do Outliers Careers, o perfil de um bom empreendedor começa ao saber se planejar. “Não dá para abrir um negócio sem saber exatamente o que fazer e como fazer.

É importante ter um planejamento e correr atrás de cursos e treinamentos para ser um empreendedor”, conta.

É claro que os jovens têm uma mente mais aberta e isso ajuda na hora de montar uma empresa, sendo capazes de identificar e aproveitar as oportunidades que aparecem. Ou seja, eles conseguem se adaptar a essa realidade mais facilmente do que pessoas mais velhas, que estavam acostumadas a trabalhar em uma empresa ao longo de suas vidas. Mas também é possível buscar essa adaptação de outras formas.

De acordo com Madalena, palestras, oficinas especializações são formas de abrir a cabeça para as inúmeras possibilidades que o mundo oferece. “Você buscar novos conhecimentos, conhecer novaspessoas, abrir seu leque de opções de trabalhos faz total diferença na hora de você montar seu empreendimento. O perfil de um bom empreendedor passa por você ser capaz de ser criativo e proativo para contornar situações de dificuldades”.

Entretanto, uma dificuldade constante é não saber quais são suas habilidades – afinal, é comum achar que você mesmo não nasceu para empreender. Porém, existem também estratégias que podem ser adotadas para reverter isso. O Coaching é um ótimo exemplo que pode transformar a vida de alguém por ser uma abordagem guiada para o futuro, para a conquista de objetivos e metas que suscitem mudanças positivas e duradouras na vida das pessoas.

“O Coaching ajuda a estimular as habilidades pessoais para a superação de obstáculos e para o alcance de objetivos, de forma que explora o máximo do potencial criativo, intelectual e emocional das pessoas e ajudam a descobrir quais são os pontos fracos e pontos fortes do Coachee, a fim de torná-lo mais eficiente” explica Madalena, ressaltando que esse pode ser um primeiro passo para quem quer abrir o próprio negócio por ser uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e profissional, que também pode servir para se destacar no mercado.

Para o Coach financeiro Robson Profeta, é interessante que exista um planejamento do negócio e porque não dizer, com nível de autoconhecimento por parte do empreendedor. “Um dos maiores desafios de quem quer montar sua empresa é realizar o orçamento e entender que parte deste orçamento deve ser dedicado para o capital de giro, ou seja, aquela economia necessária para fazer a operação girar, enquanto a empresa está em fase pré-operacional.

Em diversas áreas, o retorno financeiro pode demorar meses e as vezes anos, portanto capital de giro deve fazer parte do cálculo orçamentário. No Brasil, não temos costume de nos planejarmos a longo prazo e isso é um problema que pode acabar com um empreendimento. Importante ressaltar que planejar não significa apenas obter lucro. É preciso também maximizar nossos negócios, andando na mesma direção de nossos talentos e habilidades”, afirma.

De acordo com Robson, é aconselhável que se estude o negócio profundamente e se orce o que é real e tangível, sem projeções artificiais e inatingíveis. O conservadorismo no momento do plano de negócio é sempre bem vindo. Não é simplesmente estipular uma meta e pensar que o objetivo vai ser cumprido sem trabalho extra. Por isso, é ideal também projetar contingências do negócio.

“Claro que empreender é um risco e no papel de empreendedor, a pessoa deve buscar sempre por novas oportunidades e correr riscos, mas tentando ao máximo mitiga-los. Dedicação, empenho, controle e autoconhecimento são alguns fatores indispensáveis para que o negócio seja bem-sucedido. Até as loucuras financeiras devem estar previstas no orçamento”, conclui Robson.