Empreendedorismo digital

Já tem algum tempo que a era digital não é mais uma tendência, o futuro, um caminho, mas uma realidade instalada no dia a dia das pessoas. Na maioria das vezes, aliás, a internet dá conta de administrar nossas vidas sem nem que a gente perceba. Há quem diga que a web vicia, afasta as pessoas do contato interpessoal, mas também há os que dizem que ela trouxe mesmo foi empoderamento. O fato é que para o bem ou para o mal, o mundo online facilita a vida de muita gente, inclusive das empresas e marcas.

Para a idealizadora da Emdime - Empreendedorismo Digital Feminino, Tatiana Oliveira, a internet possibilita que as pessoas estudem, qualifiquem-se, empreendam, relacionem-se  com clientes, amigos e familiares, comprem, pesquisem produtos e serviços. Ou seja, o conceito de barreira geográfica, na visão da consultora, torna-se inexistente. O publicitário e especialista em Marketing, Rafael Motta, faz uma análise mais aprofundada quando afirma que estamos vivendo estamos vivendo uma fase transitória, “a mais longa da história, talvez, onde várias gerações tem sido impactadas de maneiras extraordinárias (mas nem sempre positivas) por esses avanços”.

Segundo o CPO (Diretor de Projetos) no grupo O Melhor do Marketing, a palavra que se deve buscar é o equilíbrio. “Precisamos buscá-lo e ter a capacidade de utilizar tudo isso à favor da sociedade”, defende. O que mais o encanta, no momento, é a chamada "internet das coisas". Carros conectados à nuvem e enviando relatórios, geladeiras com wifi, controlando seu estoque de alimentos, tênis de corrida que sincronizam com o seu smartphone e por aí vai.

Mulherada na área

De acordo com Tatiana, o atual cenário da economia digital está relacionado com a ascensão da mulher socioeconomicamente. Para ela, as mulheres estão optando por empreender na Internet devido às várias facilidades que o mundo digital proporciona, entre elas a oportunidade de empreender em casa. “Alguns dados do Sebrae apontam que cerca de 887 mil mulheres conseguem estruturar seus negócios a partir de casa, enquanto apenas 337 mil homens tem essa façanha. Além disso, a redução de custos com estrutura física, a flexibilidade e simplicidade na organização do negócio, têm atraído o mundo feminino”, comenta a consultora.

Mesmo que exista uma inserção cada vez maior das mulheres em áreas predominantemente masculinas, há que se fazer um alerta, pois o machismo está por toda parte. Conforme Tatiana, as mulheres estão quebrando muitos paradigmas, e por isso ela valoriza iniciativas focadas no empreendedorismo digital feminino. E, nesse aspecto, faz uma crítica: “A maioria dos conteúdos disponíveis que incentivam o empreendedorismo digital e a inovação são criados e organizados por homens, focando apenas em negócios que funcionam como ‘receita de bolo’, faltam informações mais introdutórias sobre o ambiente digital.”

Para que lado correr?

Se interessou pelo empreendedorismo digital? Ótimo, mas e agora? Para que uma marca esteja bem posicionada no mundo online, Motta diz que basta saber dosar três ingredientes: conteúdo, relacionamento e monitoramento. “Obviamente, cada um desses itens pode (e deve) ser desdobrado em muitos outros mais”, completa. Para o especialista, a internet alterou completamente o modo como as pessoas se relacionam com as marcas.

E, como profissional da área, acha fantástico assistir à marcas batalhando para serem cada vez mais criativas, criar diferenciais, buscar novos canais e formas de impactar e conquistar seu cliente. “Se eu pudesse dar apenas uma dica para as marcas, seria: ouça seu consumidor em tempo real. A internet nos possibilita isso. Dê atenção, dê feedback à ele. Use isso à seu favor e seu negócio terá muito mais chance de durar muitos e muitos anos.”

Na visão de Tatiana a tendência tendência é focar em seguimentos de mercados específicos, experiências de compra e relacionamento. Quando isso acontece, ela acredita que refletimos sobre as necessidades das pessoas, e focar nela, segundo a consultora, é o primeiro passo para que o negócio prospere. “Associado a isso, deve-se possibilitar uma experiência positiva de compra com informações suficientes, que promovam segurança para o cliente, além, é claro, da personalização no relacionamento”, ensina.

Ainda nessa linha, Tatiana defende que cada cliente é único e merece atenção específica. Para ela, hoje, há várias formas de fazer isso, seja através das redes sociais, aplicativos de celulares, enfim, o maior desafio é pensar no propósito do negócio e como ele pode influenciar e impactar as pessoas. Motta concorda e complementa que é necessário inovar para ser bem sucedido na web. “Fazer sempre mais do que é esperado pelo seu cliente, seu fã, seu seguidor. Surpreender, encantar, emocionar e informar são palavras que nunca devem estar fora das estratégias. Nada de tentar comprar a atenção das pessoas. O negócio agora é conquistar.”