Denise Suguitani: puro amor

Denise Suguitani é formada em Nutrição pelo Instituto Porto Alegre (IPA) e tem pós-graduação em Nutrição Clinica e Humana pela University of Surrey e University of Southampton, respectivamente. Fundadora & Diretora-Executiva na Associação Brasileira de Pais de Bebês Prematuros (Prematuridade.com), a profissional teve contato com a problemática da prematuridade após trabalhar em grandes hospitais de Porto Alegre.

Em 2011, a nutricionista criou o blog Prematuridade.com a partir da troca de experiências entre pais e profissionais que se dedicavam à causa. O engajamento cresceu e do blog foi formada a Associação Brasileia de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros. Denise foi se especializar na área do 3o Setor e realizou curso na Escola Aberta do Terceiro Setor.

Hoje, ela se dedica à Prematuridade.com e é nutricionista na empresa Organic Baby. À frente da Prematuridade.com representa o Brasil em solo nacional e no exterior.

Denise contou um pouco da sua história ao Negócio Feminino. Espia, só.

 

Negócio Feminio - Como surgiu a ideia da ONG?
Denise Suguitani -
A ideia da ONG surgiu depois de 3 anos à frente de um site sobre prematuridade e de uma comunidade de pais e familiares de prematuros no Facebook. O site nasceu em 2011, após 5 anos trabalhando com prematuros em UTI Neonatal. Vi que os pais procuravam uma fonte de informações e apoio online e encontravam pouca coisa.  Depois em 2014 decidi que havia muito a ser feito pelos prematuros no Brasil e assim nasceu a Associação Brasileira de Pais de Bebês Prematuros.

NF - Qual o envolvimento da ONG com as mulheres e quantas já fazem parte da rede?
DS -
Nossa comunidade no FB já chega a 40 mil pessoas e as mulheres representam em torno de 90% desse público. Todas elas: mães, avós, tias e cuidadoras de prematuros, têm um engajamento gigantesco com a causa. Elas fazem sempre questão de participar das enquetes, de contar sua experiência, de confortar outras mães... é lindo de se ver!

NF - Como é estar à frente de uma ONG como a Prematuridade?
DS -
É o trabalho mais recompensador do mundo.  Acredito que poucas pessoas têm o privilégio de ter o seu "trabalho" como uma paixão. Faço com tanto amor, com tanta dedicação, que não vejo as horas passarem, não sinto o cansaço chegando. E quando recebemos um feedback dizendo que ajudamos aquela mãe ou aquele pai de alguma forma, isso não tem preço. Saber que podemos impactar de verdade na vida das pessoas com nosso trabalho é uma bênção.

NF - Quais os maiores desafios em presidir uma ong no Brasil?
DS -
Para mim o desafio é grande pois venho da área da saúde. Sou nutricionista de formação e tenho procurado me capacitar para gerir de forma eficaz a Associação. O terceiro setor é muito novo para mim, mas pelo que pude experenciar até agora, há muitas barreiras culturais no nosso país quanto à doações. Também vejo que as pessoas relacionam ONGs com instituições onde há somente trabalho voluntário e na realidade ONGs são como empresas: precisam de recursos para funcionar, para se manter, para executar projetos e para capacitar seus profissionais.

NF -  E as maiores conquistas?
DS -
Falando no caso da nossa ONG, temos tido excelente conquistas em pouco tempo. Esse ano passamos a representar o Brasil na World Prematurity Network (Rede Mundial de Prematuridade), juntamente com organizações do mundo todo voltadas à causa dos prematuros. Além disso conseguimos colocar o país no mapa global das ações para o Dia Mundial da Prematuridade, que acontece todo 17 de novembro, vêm muita coisa legal e muita mobilização por aí! No âmbito das políticas públicas também, já temos projetos de atenção à prematuridade tramitando com sucesso no Congresso Nacional.

NF - Além da ONG, exerce outra atividade profissional? Como concilia as duas coisas?
DS -
Sim, trabalho como nutricionista em uma empresa de alimentos orgânicos congelados e consigo conciliar as duas coisas pois meu trabalho como nutricionista é part time.

NF - E como administra a vida pessoal com tantas atividades profissionais?
DS - T
enho dois filhos, uma menina de 8 anos e um menino de 6 anos. Acredito que eu, assim como todas as mulheres com filhos e que trabalham fora (digo fora porque ficar em casa com os filhos também é um trabalho, e dos mais cansativos!), conseguimos concilicar tudo porque temos habilidade de "nos virar nos 30", de "não deixar a peteca cair" e acabamos dando conta de fazer muitas coisas ao mesmo tempo e com maestria.

NF - Como as mulheres que se tornam mães, em especial de prematuros, lidam com a vida profissional?
DS -
Muitas mães de prematuros acabam abandonando seus empregos após o nascimento dos filhos, pois a licença maternidade delas ainda é igual à de mães de bebês que nascem a termo (com mais de 37 semanas de gestação). Isso faz com que tenham dificuldade de retomar suas vidas profissionais.

NF - Que conselhos tu dá a essas mulheres?
DS -
Primeiro gostaria de dizer à elas que estamos lutando para que a PEC 99 seja aprovada na Câmara, projeto de emenda que estende a licença para mães de prematuros: a licença só começará a contar quando o bebê tem alta da UTI. Também diria a elas que nunca deixem de acreditar, que tenham fé. Que creiam que tudo vai dar certo e que após o restabelecimento da saúde de seus filhos, retomem sem culpa suas vidas, que olhem para si, cuidem de sua individualidade e sua auto estima. Isso impacta em tudo: na relação delas com a família e com o trabalho e na auto-confiança.

Rapidinhas:

Quem é Denise? Uma pessoa do bem.
Uma referência? Meus pais.
Uma frase?  "...e que eu possa cada vez mais desaprender de pensar o pensado e assim poder reinventar o certo pelo errado." - Ferreira Gullar
Um livro ou um filme? O filme "O Aluno"
Projeto que ainda deseja desenvolver? Casas de apoio para atender as famílias de prematuros do interior dos Estados.