Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Você está demitido. E o motivo é...

 

Se tem uma história que não canso de ouvir de amigos é a de que eles foram demitidos por “corte de custos”. Geralmente, o discurso da liderança ou do RH – quando o chefe não tem culhão para demitir e ouvir umas verdades também - é mais ou menos assim: “Fulano, seu trabalho aqui na empresa é excelente, mas, infelizmente, nesses tempos de crise, estamos passando por muitos apertos e precisaremos realizar um corte de custos”.

Pronto, você foi demitido “unicamente” por uma questão financeira, o que te leva a pensar: “por que eu, se há mais 20 funcionários que também podem ser demitidos e representarem igualmente um corte de custos?”. A resposta é simples: é você porque seu chefe quis você fora, e não outra pessoa.

Por que, diabos, é tão difícil serem honestos na hora da demissão? Por que não podem dar um feedback verídico (pela ótica deles, ao menos)? Será que todos os livros de gestão que esses líderes e profissionais de RH leram não ensinaram nada sobre gestão de pessoas?

Adoraria saber de uma demissão em que o funcionário ouvisse feedbacks como: “Eduardo, infelizmente você não está atingindo os resultados que a empresa espera de você, e que foram apresentados como requisitos para o cargo que você ocupa em sua contratação” ou “Joana, você apresenta problemas de relacionamento com todos os seus colegas, o que não é favorável para o clima organizacional e, por essa incompatibilidade com o restante da equipe, o que prejudica o trabalho diário, precisaremos desligá-la”. 

Também adoraria saber de uma empresa que dissesse para o Eduardo e para a Joana que eles também poderiam deixar seus feedbacks. Então ouviríamos o Eduardo dizendo coisas como: “entendo os pontos de vocês, mas gostaria de deixar registrado que a empresa nunca me ofereceu os recursos básicos necessários para que eu fizesse a entrega desejada, assim como sempre me sobrecarregou, sem nunca considerar se existia tempo na minha pauta para eu executar as excessivas tarefas demandadas”. Joana, por sua vez, diria: “Discordo do fato de eu ser o problema, visto que nunca fui acolhida de braços abertos pelos colegas, já que vim como substituta de uma funcionária que eles gostavam muito e que vocês desligaram de maneira injusta. Diante disso, nunca fui aceita por uma má gestão da empresa com a colega anterior a mim”.

Esse seria o mundo ideal. Mas o que vejo são discursos prontos e falsos, e chefes que desligam funcionários porque este decidiu não ser o escravo que trabalha noite e dia e aceita todo tipo de desaforo ou de invasão à vida pessoal como se isso fizesse parte do trabalho. Ou ainda, simplesmente porque o santo não bate e dane-se se ele é um bom profissional. E você, já foi demitido por corte de custos? Melhor mesmo cortar essas empresas da sua carreira.