Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Vale a pena ser uma workaholic?

 

Trabalhar muito não é sinônimo de trabalhar bem. Essa afirmação leva a outra: trabalhar muito não te fará, necessariamente, ser reconhecida. Compreendidas as duas frases? Então vamos aos desdobramentos desses baldes de água fria que acabei de jogar.

Começando pela primeira sentença do texto, o que quero dizer é que não é porque você trabalha mais que as oito horas diárias do seu contrato, estendendo para a noite e fins de semana, que você trabalha bem. Ou seja, você pode trabalhar muito, mas isso nem sempre significa que você faz o que deve ser feito na qualidade esperada. Você fica apagando incêndios sem parar, mas, de fato, nunca previne o acidente.

Ah, mas aí você vai me perguntar: “como vou fazer algo na qualidade desejada se tenho tarefas em excesso e preciso entregar tudo pra ontem? ”. Ótima pergunta. Respondo: você tem toda razão. É impossível fazer algo excelente quando a pressão para cumprir prazos de uma demanda muito maior que sua capacidade produtiva é exigida. Bom, isso já aconteceu comigo. Sabe o que eu fiz? Decidi entregar apenas aquilo que eu conseguia no tempo que eu tinha, mas em alta qualidade. O restante, que eu não dava conta, não era problema meu até o dia seguinte e as próximas horas de trabalho.

Explico porque tomei essa sábia decisão de mudar meu mindset: gastei um bom tempo de vida pessoal trabalhando muito, entregando abaixo da qualidade que sou capaz e recebendo feedbacks negativos por isso. Então pensei: se é para receber retornos ruins, que seja por não dar conta de tudo, e não por fazer mal feito se sei que sou boa no que faço. Substitui o “entregar rápido” por “entregar bem”. E se minha “liderança” desejava que eu entregasse bem e rápido, ela que providenciasse mais mão de obra para me auxiliar ou me desse menos demandas.

Esse era meu papel como colaboradora, o de achar alguma forma de mostrar que o problema não era eu, e sim o sistema explorador da empresa. Se eu continuasse a produzir sem parar e entregar, minha líder poderia pensar: “viu como ela dá conta? Pena que faz mal feito”. E aí, o único reconhecimento que eu receberia (como acontecia) por fazer rápido era mais trabalho.

Esse raciocínio leva diretamente a segunda frase: trabalhar muito não te fará, necessariamente, ser reconhecida. Por que? Simples, você faz mais do que consegue e entrega do jeito que dá e, portanto, sua chefia não reconhece seu empenho, apenas vê o que não saiu como ela esperava.

Sendo assim, se posso lhe dar um conselho, aí vai: dê o seu melhor no tempo que você tem para isso. Organize as demandas do dia por ordem de importância e urgência. Faça o que precisa ser feito bem feito. E sempre deixe sua liderança a par do que você fez e do que não fez e porquê. Se mesmo assim sua gerência não entender por que você não consegue entregar tudo rápido e com qualidade, talvez você mereça uma líder melhor. Ora de mudar a direção das velas. Acredite, na hora de te demitir ninguém lembra das horas extras, da correria, das vezes que você mal almoçou ou lanchou, do trabalho no fim de semana e da noite em casa. Vai por mim. E consequentemente, “vai por você”.