Cris escreve todas as sextas-feiras.
A urgência

 

A brevidade da vida é a exclamação mais importante do tempo, esse que nos é dado em livre demanda e que ocupamos de qualquer jeito.

Se o entendimento fosse concreto e claro acerca dessa urgência que bate a nossa porta, poderíamos de fato dar mais valor ao percurso?

O problema, se é que podemos chamar assim, é que esse urgir se faz presente diante do adeus, da morte, de uma doença. A reflexão da despedida é fervorosa. Nos vemos diante de um "nunca mais” ou de um "talvez acabe" e nesse entremeio as ideias de que é melhor deixar pra amanhã desfazem-se como num passe de mágica.

E então fica a pergunta: por quê o inadiável não se apresenta diante da vida que pulsa nas veias saudáveis de toda a humanidade?
São tantos os pontos de partida, que os de chegada perdem-se na poeira da estrada de chão que esquadrinha os caminhos de cada um de nós.

Conclusões a parte, o que nos falta é fé, verdade e legitimidade para seguir a diante entre tantas ofertas que saltam em nossa cara, entre tantos deslizes que nos tiram do prumo, entre tantas informações que se aglomeram em nossa mente.

Esvaziar é preciso. E é nesse vazio que o hoje se faz presente. É nesse vazio que a alma se encontra, sem perturbações, mas com as interrogações que abrem espaço aos questionamentos que nos elevam e fazem com que o desabrochar aconteça.

Ir ao encontro dos nossos sonhos, sem arremedos.

Colocar o coração pra dançar, sem culpas.

Abraçar a vida e o próximo, sem receios.

Deixar que flua essa energia que habita em tudo, inclusive em nós.

Pois sim.

A vida é feita de todas essas coisas que vem e vão e que estão aí para que nos tornemos melhores. O conhecimento do existir e a sabedoria do viver.

Urgente é a chama da vela que sopra como uma divindade à iluminar o fio de esperança que carregamos no peito. Urgente é fim, meio e começo. Urgente é o pulsar da existência que está por toda a parte. Em mim e em ti.

Não percamos nosso precioso tempo com egoísmo, com orgulho. Mais vale ser melhor que ontem do que ser melhor que o outro. Olhar pra dentro participa desse processo lindo de autoconhecimento.

Vamos deixar de lado os julgamentos e pedir misericórdia. Vamos deixar de lado os olhares arregalados e andar de mãos dadas com nossa intuição. E se nos conectarmos com nossos quereres mais sublimes, conseguiremos alcançar e viver o hoje como nunca.