Cris escreve todas as sextas-feiras.
Qual é a tua prioridade?

​Esses dias entrei em colapso. Uma inquietação tomou conta de mim. Parei para avaliar as coisas da vida, distribuir melhor as prioridades em relação ao trabalho, para organizar a casa e fazer o tempo render. Me dei conta, que posso melhorar muito, aproveitar e produzir mais. Ufa! Que bom!
​Foi aí que parti da arte de se desdobrar em mil no trabalho para a arte de se desdobrar em mil no que envolve a outra parte, aquela que me alimenta e que faz de mim, quem sou. Minha fé, minha saúde física e mental, meu amor, meus amigos, meu tempo livre, minha família, tudinho! Nossa, que sufoco, tentar colocar prioridade nisso tudo?
​Tive a sensação de um vazio, como se o tempo tivesse dado uma trégua e “click”", percebi que desse lado não existe prioridade. O coração é grande e nele tem espaço para tudo que faz bem. Nada melhor que conciliar a vida com a vida, sem dramas, sem “isso vem primeiro” ou “isso é mais importante”. Não funciona assim.
​É simples, e vou te contar, descomplica. Sabe por que? Porque traz uma leveza na hora das escolhas. Escolhas essas que não têm nada a ver com prioridade e sim, com aquilo que faz teu coração bater naquele momento. Pois nem sempre precisamos do mesmo. Têm dias que queremos paz, descanso, rede. Noutros, bagunça, casa cheia, risadas. Às vezes estamos mais para as longas conversas e e outras, para longos silêncios.
​Quando o tempo é livre, a gente pode escolher pegar um cinema, namorar, ou fazer um retiro espiritual, de acordo com o que nos fará bem naquele momento. Claro, quando temos um companheiro e filhos, dividimos com eles as vontades, mas tudo numa boa, sem passar por cima do outro. Hoje vamos naquele show de rock que tu tanto ama, mas amanhã estou louca por um filme melado. Tem que ter entendimento.
​A gente pode abrir mão, pode dar a mão, pode receber, mas sem passar por cima da nossa essência. Afinal, o coração não é um país, divido em estados, da maior a menor área, do maior ao menor PIB. O coração é o mundo! Redondo, inteiro, complexo e simples. Nele tudo se conversa, o que nos faz bem é o que deve ser cultivado. E tem tanta coisa que faz bem nessa jornada, que não vale priorizar. O que vale é amar e muito.