Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Apenas a dor que vale a pena é permitida

 

Há pouco tempo, saindo do estúdio de tatuagem, me peguei fazendo analogias para aconselhar uma amiga. Dizia então para que ela só se permitisse sentir dores que gerassem algum benefício como consequência, caso contrário, nada feito. Exemplifiquei com dores “boas” que fazem parte da minha rotina. O faço a seguir aqui também.

Sentir dor muscular ao treinar na academia é ok, afinal, é sinal de que o exercício está fazendo efeito e te ajudando a conquistar o corpo que você deseja. A dor que senti, e não foi pouca, durante a minha última tatuagem, também estava permitida, visto que, ao final da sessão, eu sairia com um desenho lindo que elevaria minha autoestima. A dor nos dedos, depois da aula de violão, um dia me renderia canções. E a dor do parto, se um dia eu der à luz, vai colocar no mundo mais um ser humano, pelo qual farei o possível para que some coisas boas ao mundo.

Dados os exemplos, fica aqui o meu conselho de amiga para que você só se permita sentir dores que lhe tragam um retorno positivo depois. E todas as outras que você puder evitar, evite. “Mas como assim? Se eu sentir dor no joelho não posso escolher simplesmente não sentir.”. Claro que não, estou falando de dores psíquicas, como a de amor, de cotovelo, a dor da culpa, da rejeição, da decepção. Alguma delas vai te trazer algo positivo? Reflita.

Dor de amor não traz o amor de volta ou de vez, a de culpa não resolve o problema, a de rejeição não ajuda na sua autoestima, a de decepção não muda o fato dado. Sendo assim, experimente substituir a dor de amor pela alegria de novos amores, a dor de cotovelo por dor nas coxas, glúteos e abdômen após um treino puxado, a dor da culpa pela sensação de que fez tudo que pôde, a dor da rejeição por amor próprio e a dor da decepção por perdão (essa é a mais difícil, eu sei). Enfim, enquanto não consegue substituir, ao menos procure evitar sentir de forma tão intensa. Não gaste tanta energia assim, você precisará dela para coisas mais importantes, acredite.

E já que por aqui a pauta quase sempre é trabalho, isso também vale para esse aspecto da sua vida. Se culpar porque não deu conta de tudo não é um problema só seu, e sim da empresa também, a não ser que você seja lento e esteja muito aquém do índice de produtividade esperado. Se sentir rejeitado em um dia ruim de um colega ou chefe é uma péssima sensação, mas sinta a dor do momento e não a leve para a casa e nem para o dia seguinte, pois o problema não é você, e sim a pessoa que não soube lhe tratar da forma que você merecia e, às vezes, nem o fez por mal. Resumindo, busque aplicar essa teoria a sua vida em todos os aspectos e viva melhor. Vamos tentar?