Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Dona de casa? Dona do seu nariz? Dona do tempo!

Me sinto um pouco frustrada por ser inábil para cozinhar mais que arroz, bife, massa ou seguir algumas receitas. Gostaria de ter o dom de chefs de cozinha e fazer pratos lindos, exóticos e deliciosos. Mas saber cozinhar como uma boa dona de casa já me servia. Isso porque amo comer. E comer bem, no caso. O problema é que passo longe de ter esse talento. No entanto, quando me dá a louca e cozinho, lamento a cada louça que preciso lavar depois. Fico pensando coisas do tipo: ‘eu poderia estar lendo, escrevendo, estudando, vendo um filme, tirando um cochilo e, é claro, colocando o trabalho em dia’. Bom, esta introdução simples é para concluir de antemão o óbvio do quanto é duro ser dona de casa. Ser do lar, muitas vezes, também significa abrir mão de ser dona de sua carreira para cuidar da comida da família e de todas as outras demandas que uma casa exige.

Dou mais exemplos da minha inaptidão doméstica e conveniência. Todo dia quando saio para o trabalho, nem cogito arrumar a cama. Raciocínio lógico: para quê arrumar se vou bagunçar na volta?  Seguindo a mesma teoria, a toalha de mesa da janta não precisa ser retirada, já que pela manhã preciso colocá-la de novo para tomar café. Afora a lógica, todos sabemos que é bem mais prazeroso chegar em casa ou acordar com tudo nos seus devidos lugares. Lembro-me de uma vez que minha mãe viajou e me deixou sozinha no apê. Caramba, perdi o fim de semana inteiro passando aspirador, arrumando camas, lavando louças e organizando. E aí me dei conta que o trabalho da mãe era cansativo, e que por mais que ela tenha dedicado o dia todo à manutenção da casa, à noite chegavam marido e filhos e desordenavam tudo sem dó nem piedade. Hoje penso que minha mãe é doida por não mandar todo mundo longe e não gritar com cada um que deixa um copo fora do lugar.

Se ser apenas dona de casa já é uma tarefa e tanto, imagine quem tem que trabalhar o dia todo, cuidar da casa, e em casos mais complexos, cuidar do filho, do cachorro e, quiçá, dos pais? Os tempos atuais tornaram a mulher dona do seu nariz. Hoje ela é empreendedora, empresária e funcionária. Acorda cedinho para trabalhar e só volta à rotina pessoal à noitinha, quando o que menos faz é cuidar de si. Conquistou o tão quisto espaço no mercado de trabalho e a tão sonhada igualdade em cargos de chefia de extrema responsabilidade e sobrecarga. Com isso, ganhou muito – não tanto em valorização salarial, e sim em reconhecimento -, mas perdeu também. Perdeu aquele tempinho de descansar depois do almoço e cochilar no sofá antes de voltar para o batente, de ser mais presente na rotina dos filhos, de fazer as compras no super com calma e disposição, assim como a janta, e de cuidar de si. Ela está trabalhando mais e vivendo menos.

No fim das contas, eu poderia começar este texto ao contrário do que comecei e dizer que é duro ser mulher de negócios. E que, enquanto a dona de casa é frustrada por não ter dado prosseguimento aos estudos e construído uma carreira, a mulher que trabalha é frustrada por não dedicar mais tempo à família e a si mesma. E aí essa mulher se pega pensando no quanto seria bom se ainda lhe restasse um tempinho para ser um pouco mais dona de casa (ok, nada de ser chef). E não apenas para alimentar o marido e a prole, mas também pelo prazer de cozinhar como hobbie em um cenário atual onde muitas mulheres só tem como hobbie descansar.