Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Check-list do “você precisa fazer alguma coisa”.


Leia as situações abaixo e responda mentalmente com quais se identifica:

1) Você chega no trabalho, abre sua caixa de e-mails e simplesmente não sabe por onde começar tamanha a quantidade de tarefas que eles demandam.

2) Todas as vezes que o telefone toca enquanto você está tentando focar em uma tarefa, você tem vontade de quebrá-lo.

3) Se um colega te interrompe, você perde a concentração, se irrita com a situação, mas não necessariamente com o colega, pois entende que ele está vivendo a mesma angústia que você.

4) Quando o dia de expediente está quase terminando, você percebe claramente que as oito horas de trabalho são insuficientes para a quantidade de tarefas, pois muita coisa vai ficar por fazer ainda (fora o que entrou de novo).

5) Você pensa, pensa, mas não sabe como mostrar para seu gestor, clientes e colegas o quão atarefado você está, para eles então pegarem mais leve e você não desejar sair correndo para as montanhas a cada meia-hora.

E aí, se identificou com alguma das cenas acima? Com todas? Entendo. Considerando o último item, posso afirmar que uma das minhas maiores dificuldades profissionais é (e sempre foi) conseguir mostrar para o meu gestor o quanto eu estava sobrecarregada. Nunca consegui mostrar detalhadamente a quantidade de demandas que eu tinha e o quanto cada uma pedia penso, planejamento, processo, operação e execução para ser uma entrega de excelência. Tentei por meio de tabelas, infográficos, check-lists, cronogramas, follows, mas nunca obtive sucesso. 

Três eram as principais razões para isso. A primeira era ter líderes que nunca tinha tempo suficiente para ouvir o que eu tinha para dizer, ou, quando ouviam, não escutavam. Usavam o tempo que tinham para me ouvir pensando no melhor argumento para me mostrar que era só questão de eu ajustar minhas rotinas, simples assim. Ou interrompiam a cada ponto final de uma frase minha para não permitir a conclusão do meu raciocínio e, portanto, garantir que não lhes faltassem argumentos para me rebater. A segunda razão é que eu nunca soube expor visualmente tudo o que tinha na minha pauta e o tempo que cada atividade tomava, para assim provar que isso inviabilizava outras tarefas por determinado período ou até a contratação de um assistente. Meu forte sempre foi texto e não design thinking. E a última razão é porque os meus gestores, os mesmos que diziam para eu diferenciar o importante do não importante e o urgente do não-urgente, sempre que eu conseguia organizar isso, faziam questão de furar minha pauta (que eles desconheciam) com algo urgente, só que não. 

Vivemos em um momento no qual as empresas exigem alta performance diante de uma alta demanda. E nós, desesperados, buscamos ajuda na literatura, em cursos, treinamentos e ferramentas que nos auxiliem na gestão do nosso tempo. Inclusive, comecei a usar uma dessas ferramentas recentemente, chamada de Pomodoro, que me ajuda a cronometrar ciclos de trabalho com foco total. Seria quase perfeita se não houvesse interrupção de 5 em 5 minutos de telefone tocando, colega, cliente, fornecedor tirando apenas uma dúvida ou pedindo um favorzinho.  Isso sem falar das reuniões. Sim, se você abre seu calendário, ele está tomado por reuniões, e quando vê, não há tempo livre para trabalhar de fato. Recentemente um cliente me questionou por que eu não poderia fazer a reunião com ele naquele dia e horário se ele verificou minha agenda e estava livre. Precisei responder exatamente isso: porque o dia só está livre de reuniões e não de trabalho, visto que preciso trabalhar no que foi solicitado em todas outras reuniões da semana.

Diante desses cenários, que têm alto potencial de desmotivar até o mais engajado dos funcionários, qual a solução? Abaixar a cabeça, fazer horas extras, se estressar, se alimentar mal? Ou conseguir se impor e se fazer respeitar pelo seu papel? Obviamente a última opção. Mas como isso é difícil, não é mesmo?

Resumo da ópera é: você só tem duas saídas. Ou se rende e se adapta à rotina frenética imposta pelas empresas até que se canse e peça demissão, pois percebeu que sua qualidade de vida foi pro brejo. Ou se impõe e busca meios de mostrar que você não pode abraçar o mundo e aprende a dizer ‘nãos’ doa a quem doer. Se escolher a segunda opção, não esqueça de me mandar a fórmula. Grata.